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Os riscos dos BDRs e como ter uma verdadeira diversificação global

23.Outubro.2020

A negociação de BDRs (Brazilian Depositary Receipts) foi liberada para todos os investidores na B3 a partir desta quinta-feira (22). Antes, a compra e venda desses papéis era restrita apenas aos fundos de investimentos ou investidores qualificados (que possuem mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras e declaram esta condição por escrito).

Com a mudança nas regras, pequenos investidores poderão negociar os cerca de 550 BDRs disponíveis atualmente na B3. O BDR é visto por muitos especialistas como uma maneira de incluir papéis de empresas internacionais no portfólio. No entanto, é preciso ficar atento a alguns riscos importantes desse tipo de ativo. 

O primeiro deles é que o BDR proporciona uma exposição indireta ao mercado internacional, já que tanto as aplicações, quanto os resgates são feitos em reais, e não em dólar. Ou seja, apesar de incluir a variação cambial na oscilação do papel, o investidor corre o risco de conversibilidade.

O risco de conversibilidade consiste na dificuldade de trocar reais por dólares em caso de necessidade e, apesar de ser pouco difundido, deve ser encarado com seriedade. 

O grande problema é que a  ausência de conversibilidade plena deixa o investidor à mercê de um possível controle do governo nas transações de moeda estrangeira, que pode criar tributos ou até mesmo controlar o capital, impondo limitações mensais para a troca de moeda.

Na Argentina, por exemplo, para tentar conter a desvalorização do peso e proteger suas reservas cambiais, o  governo limitou a compra de dólares em US$ 200 por mês e  criou um imposto de 35% para gastos em dólar no cartão de crédito. 

Baixa Liquidez

Um outro ponto que deve estar no radar do investidor é a baixa liquidez dos BDRs. Segundo dados da consultoria Economatica, a média de volume diário de BDRs negociados na B3 é de R$ 59,8 milhões. Como base de comparação, ações consideradas “blue chips”, como Vale e Petrobras, negociam mais de R$ 1 bilhão por dia na Bolsa. É provável que com a disponibilização dos BDRs para o pequeno investidor brasileiro, esse seja um ponto a ser melhorado.  

A baixa liquidez é ruim para o investidor porque não permite que as operações sejam realizadas no momento que ele precisa, provocando também distorções de preços. Ou seja, os ativos podem ter oscilação um pouco diferente da ação que foi usada como lastro.

Alguns recibos de empresas menos conhecidas chegam a ficar vários dias sem serem negociados na B3. Com a liberação das operações para os pequenos investidores a liquidez tende a melhorar, mas ainda assim é preciso ficar atento e acompanhar a média de volume diário.

BDRs  não-patrocinadas são maioria no Brasil

A grande maioria dos BDRs negociados na B3 são classificados como “não patrocinados”. Isso quer dizer que a emissão do certificado ocorre por uma instituição depositária brasileira, sem nenhum envolvimento da companhia que detém as ações que lastreiam o papel. 

Neste caso, todas as informações repassadas ao investidor são de responsabilidade da instituição depositária e não da companhia estrangeira. Alguns exemplos são os BDRs de gigantes como Facebook, Apple, Alphabet (dona do Google), Amazon e Twitter -  todos “não patrocinados”.

Já os BDRs patrocinados, cuja negociação já era liberada para o pequeno investidor, são emitidos por uma instituição que foi contratada pela empresa estrangeira emissora das ações.

A real Diversificação nos Investimentos

Para proteção do patrimônio e uma verdadeira diversificação dos investimentos, é essencial que ao menos parte do patrimônio investido seja realizado diretamente nos mercados internacionais.  

Diferente do que as pessoas costumam imaginar, não é preciso ser investidor qualificado ou milionário para investir diretamente em ativos nos Estados Unidos, considerado o maior mercado financeiro mundial.  Atualmente, existem corretoras que possibilitam acesso ao mercado norte-americano de maneira descomplicada e rápida. 

“Não há como falar em diversificação dos investimentos estando restrito ao mercado nacional, muito vulnerável a questões políticas e ao calendário eleitoral. O brasileiro precisa ser livre para escolher e ter a opção de se expor a todas as classes de ativos (ações, commodities, bonds, criptomoedas, etc) e aos mercados globais. Esta é a verdadeira diversificação, e também, o ponto de partida para se manter investidor até o último dia de vida”, afirma Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research.



Leia matéria sobre o Risco de Conversibilidade: https://www.convexresearch.com.br/pt-br/insights/entenda-o-risco-de-conversibilidade-21 

 

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