insights

O Brasil corre riscos inflacion√°rios? Entenda os sinais.

12.Agosto.2020

Por Redação 
 
A inflação nas alturas assombrou o país durantes décadas e até hoje é responsável por uma série de comportamentos presentes no subconsciente dos brasileiros, como a dificuldade de poupar e a necessidade de consumir imediatamente pelo receio de que os produtos fiquem mais caros.
 
Apesar desse histórico, a maior parte do mercado não tem mostrado grande preocupação em relação ao forte crescimento na oferta de moeda na economia brasileira.
De acordo com dados do Banco Central, o aumento atual da oferta monetária é o maior em uma década no Brasil e está em níveis próximos de 1997, período da Crise Asiática, e de 2002, quando vivemos fortes turbulências por conta das eleições presidenciais.
 
 
Talvez você esteja se perguntando o que isso tem a ver com uma possível pressão inflacionária. A resposta é simples: a inflação de preços é um fenômeno monetário, ou seja, ela é provocada quando a oferta de moeda na economia aumenta sem que a quantidade de produtos e serviços cresça na mesma proporção.
 
Para explicar de uma maneira resumida o fenômeno inflacionário, vamos dar um exemplo: imagine que para acabar com a pobreza no país, o governo resolve imprimir dinheiro e distribuir R$ 1 milhão para cada família brasileira.
Qual seria o efeito disso?
 
Apesar de parece uma ação boa, as consequências seriam nefastas, com a destruição do poder de compra da moeda. Isso acontece porque a capacidade produtiva de um país não é determinada pelo dinheiro que está em circulação, mas sim, por sua capacidade de produzir produtos e serviços, e que depende de uma série de fatores, como a quantidade de matéria prima disponível, a produtividade, eficiência, a disponibilidade de mão de obra, a tecnologia, se você tem ou não, entre outros fatores.
 
Em uma situação como essa, de aumento da oferta monetária de maneira instantanea, sem que haja um bom ambiente de negócios e produtividade que acompanhe, haveria mais dinheiro nas mãos das pessoas - o que provocaria um aumento de demanda -, mas a quantidade de produtos e serviços oferecidos não iria aumentar. No final das contas, isso levaria as pessoas a consumir mais do que antes, só que não haveria produtos suficientes. O resultado seria um aumento generalizado de preços, e consequente depreciação do poder de compra da moeda. 
 
A inflação de preços, diferente do que se pode imaginar, não é provocada pela vontade de empresários ou pelo aumento isolado de um ou outro produto, mas sim, por um desequilíbrio econômico que desregula a relação entre oferta e demanda. Foram justamente esses desequilíbrios que assolaram o Brasil durante muitos anos, principalmente durante a década de 1980 e o início dos anos 90. Foi neste período que o Brasil viveu a chamada hiperfinflação, que chegou a mais de 6.000% em um único ano.
 
Naquela época, os preços mudavam diariamente e as pessoas precisavam correr para as lojas e supermercados antes que os produtos ficassem mais caros. Quem tem 40 anos ou mais, provavelmente se lembra do funcionário que passava o dia todo remarcando os preços nas embalagens e que virou um símbolo da hiperfinflação no Brasil. A inflação era tão alta que a moeda nacional acabou perdendo a sua característica de referência de valor e passou a ser rejeitada pela população. Era comum que imóveis e veículos, por exemplo, fossem anunciados em classificados com preço em dólar, uma moeda forte, que não perdia valor de um dia para o outro.
 

Plano Real

Uma série de planos econômicos foram criados para tentar resolver o problema, todos sem sucesso, até que em 1994 o Plano Real finalmente conseguiu controlar a inflação por aqui.
Isso não significa que de lá para cá não tenha havido inflação no país, mas sim, que ela ficou em níveis considerados normais. Ainda assim, seu impacto é significativo, principalmente quando olhamos o longo prazo.
Para você ter ideia, de julho de 1994 (quando o Plano Real foi criado) até julho de 2020, a inflação acumulada foi de 523%. Isso quer dizer que o poder de compra de uma nota de R$ 100 há 26 anos, equivale a apenas R$ 16 hoje.
 
Para dar um outro exemplo, se uma pessoa comprou um apartamento de R$ 200 mil no início do Plano Real e vendeu no mês passado, por R$ 1,2 milhão, esse imóvel teria se valorizado menos do que a inflação – ou seja, o proprietário teria obtido ganho real negativo (sem contar as possíveis receitas com aluguel).
 
 

Os índices de inflação

O índice que mede a inflação oficial no Brasil é o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O IPCA tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias com faixa de renda entre 1 e 40 salários mínimos. Mas existem outros índices de inflação, como o IGP-M (Índice Geral de Preços-Mercado) e o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna), ambos medidos pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Diferentemente do IPCA, que busca refletir os preços ao consumidor final, boa parte desses dois índices (60%) se refere a preços no atacado, que costuma antecipar as variações de preços no varejo.
 

Como manter o poder de compra

Diante do atual momento econômico e fiscal do país, pensar em como preservar o capital não é um luxo, mas uma necessidade. A melhor maneira de se proteger é buscando investir em ativos que mantenham o poder de compra da moeda ao longo do tempo. Para isso, a real diversificação da carteira de investimentos é fundamental, o que envolve a dolarização do portfólio de investimentos - com investimento direto no mercado americano - e a exposição de uma parcela dos investimentos a ativos com características deflacionárias, como o ouro e o bitcoin.  
 
 

Convex

Receba nossa Newsletter