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O Banco Central brasileiro pode estar perdendo o controle da taxa SELIC

06.Maio.2020

O Comite de Política Monetária do Banco Central definiu o corte da taxa Selic em 0,75 ponto nesta quarta-feira (06). Este foi o sétimo corte consecutivo, colocando a taxa no patamar de 3% ao ano, em nova mínima histórica.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos Bancos Centrais para a condução da política monetária. Em alguns momentos da história se percebe, entretanto, a ilusão de que os Bancos Centrais poderiam fixar a taxa de juros de acordo com seus desejos, sem implicações. No entanto, quando as decisões dos BCs se distanciam dos fundamentos, a realidade se impõe. Há um limite para onde possa ir a taxa básica de juros, principalmente quando há deterioração fiscal.

Dependendo do patamar escolhido pelo Banco Central, podemos ter consequências devastadoras para a economia, inclusive, resultando na perda da eficácia da política monetária. Entre as implicações mais sérias que se reflete neste tipo de situação é a perda do controle da taxa de juros, no sentido de a taxa básica não influenciar mais as demais taxas de juros da economia.

 

No caso do Brasil, taxas de juros artificialmente muito baixa podem resultar em:

1. Incentivo ao endividamento de famílias, empresas e maus investimentos; 

2. Desvalorização acelerada da moeda local;

3. Inflação 

4. Dificultar a venda de títulos públicos junto ao mercado e piorar o perfil da dívida pública, quando o Banco Central é obrigado a vender com prazos menores e taxas maiores.

 

Como verificar a perda da eficácia da política monetária

Uma das maneiras de verificar a perda da eficácia da política monetária é através da comparação da taxa Selic e da chamada taxa implícita da dívida pública, que corresponde à taxa média de juros incidente sobre a Dívida Líquida do Setor Público. Quando essas taxas se distanciam muito e apresentam divergência de trajetória é um sinal de alerta, exatamente o caso deste momento. 

 

E porque você deve ficar atento a estas informações? 

O mercado está percebendo que a atual taxa básica de juros não é compatível com a situação fiscal (contas públicas) do país, assim como a taxa de câmbio está desancorada. No caso da política cambial, o Banco Central do Brasil dá sinais de que não entendeu que não há demanda no mundo por Reais e insistir em adotar uma postura similar ao Banco Central americano, que pode imprimir dólares.  

Quanto aos investidores de títulos, o alerta é que o atual patamar da curva de juros (incluindo os vencimentos curtos e longos) não é sustentável e um ajuste para cima (isto é, as taxas subirem) é uma mera questão de tempo. E esse ajuste tem implicações para quem estiver exposto a títulos prefixados como Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA.

 

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