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Mesmo com alta no ano, PIMCO vê ouro com preço atraente

26.Agosto.2020

Da Redação

 

O preço do ouro vem registrando forte alta nos últimos meses, em um movimento justificado principalmente por conta da fuga de investidores para ativos que funcionam como reserva de valor em meio às incertezas econômicas.

No dia 6 de agosto, o contrato futuro com vencimento em dezembro, negociado na Bolsa de Nova York, bateu sua máxima histórica, negociado a US$ 2.051,50 a onça-troy. Apesar de ter recuado um pouco nas últimas semanas, desde janeiro o metal acumula uma valorização de 27%.

“O ouro atingiu novas máximas, impulsionado por taxas de juros baixas em muitas regiões, preocupações com a inflação e a crescente dívida dos governos. No entanto, o modelo de avaliação da PIMCO indica que o metal permanece com um preço atraente - pode-se até dizer barato - no contexto de taxas de juros reais historicamente baixas”, diz o relatório assinado pelo gestor de commodities Nicholas Johnson.

Johnson escreve que, embora o preço do ouro possa ser influenciado por muitos fatores, as mudanças dos rendimentos reais (ajustados pela inflação) dos títulos públicos são vistos como o principal impulsionador dos movimentos do metal precioso nas últimas décadas. “Quando os rendimentos reais do Tesouro caem, os preços do ouro tendem a subir”, afirma.

A PIMCO é uma das maiores gestoras de recursos do mundo, com mais de US$ 1,9 trilhão sob administração. De acordo com cálculos da asset, desde 2006, uma queda de um ponto percentual nos rendimentos reais dos títulos do Tesouro dos EUA se traduziu em um salto de 30% nos preços do ouro.

Richard Rytenband, economista e CEO da Convex Research, destaca que a característica de reserva de valor do ouro faz com que ele sempre tenha um desempenho acima da média em momentos de instabilidade econômica, como o que estamos vivendo neste ano.

“De tempos em tempos, sempre que aparecem sinais muito grandes de incertezas, as pessoas correm para as reservas de valor. Uma delas, que atravessou milênios, é justamente o ouro. Nos grandes mercados de baixa, o ouro historicamente mostra bons resultados”, diz.

Um exemplo é o desempenho do índice S&P500 entre os anos de 2000 e 2010. O gráfico de preços mostra que o índice teve dois momentos de forte baixa nesta década. O primeiro entre 2000 e 2003, quando estourou a bolha das “ponto com”, e a segunda entre 2008 e 2010, por conta da crise do Subprime. “Em todo esse período o ouro teve valorização, funcionando como uma autêntica reserva de valor”, diz.

Mas é preciso se atentar e não investir em ouro atraído pela valorização passada e pela possibilidade de fortes ganhos e multiplicação do patrimônio.  O economista destaca que o metal deve sempre ser utilizado como uma maneira de proteger a carteira contra riscos econômicos e inflacionários, e não para especular. “Ninguém deve colocar ouro no portfólio pensando em ganhar, mas sim, em se proteger e sobreviver”, conclui.

Convex

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