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Entenda as diferenças entre a crise de liquidez e de solvência

20.Outubro.2020

Empresas com dificuldades generalizadas em seu fluxo de caixa, precisando se desfazer de ativos com pouca liquidez no mercado. Governos e grandes companhias, principalmente de países emergentes, demandando mais dólares para honrar seus compromissos, provocando a escassez da moeda pelo mundo. Foi o que aconteceu com boa parte das empresas brasileiras nos últimos meses, principalmente durante o auge das medidas de isolamento social.

"As empresas ficaram sem receita, mas as despesas foram mantidas. Isso, claramente, abriu uma brecha no caixa e a solução passa pelo crédito. Contudo, os bancos não liberam recursos para as empresas que acham que vão quebrar", destacou o gerente executivo de pesquisa e competitividade da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Renato da Fonseca, em junho desse ano.

Essas são algumas das principais características de uma crise de liquidez como a que estamos vivendo atualmente, desencadeada pela pandemia de Covid-19.

É importante lembrar que a crise de liquidez trata-se de um problema temporário de fluxo de caixa. Ou seja, mesmo que os ativos tenham pouca liquidez, eles ainda superam os passivos e as dívidas podem ser honradas.

Já em uma crise de solvência, tanto empresas quanto os governos perdem a capacidade de arcar com seus compromissos no médio e no longo prazo. Isso quer dizer que mesmo se a totalidade dos ativos forem vendidos, as dívidas ainda não serão cobertas por completo.

O problema é que alguns indicadores podem apontar uma transição da crise de liquidez para uma crise de solvência. Em maio deste ano, no auge da pandemia, Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) já mostrava preocupação neste sentido.

Em uma conferência, ele destacou que a recuperação econômica nos EUA poderia demorar e os problemas de liquidez decorrentes da crise tinham potencial para gerar uma crise de solvência. Para evitar esse cenário, Powell defendeu o aumento de medidas fiscais.

Na mesma época, Lael Brainard, uma das diretoras do Fed, deu declarações parecidas. “Intervenções precoces foram eficazes na resolução de questões de liquidez, mas estaremos monitorando de perto as tensões de solvência entre os tomadores de empréstimos altamente alavancados, que poderá aumentar quanto mais tempo a pandemia da Covid-19 persistir”, afirmou Brainard.

No entanto, os EUA continuaram emitindo sinais preocupantes nos últimos meses. O principal deles é a relação da dívida corporativa com o PIB (Produto Interno Bruto), que atingiu 56,42%, o maior patamar das desde a década de 1940, como mostra o gráfico a seguir:

 

Fonte: Bloomberg / Convex Research

 

Com o endividamento cada vez mais alto, as empresas têm menos margem para lidar com futuros percalços, além de terem menos capacidade de investimento. Isso faz com que  os ganhos de produtividade - que são um dos principais motores de crescimento econômico de longo prazo - ficam perigosamente afetados.

Resta saber se as economias globais conseguirão resolver os problemas de liquidez de modo que eles não se agravem a ponto das empresas e governos tornarem-se insolventes.

Do ponto de vista de alocação dos recursos, o mais importante é monitorar o cenário e manter as exposições convexas, sempre preocupado com a sobrevivência em caso de um agravamento da crise e aproveitando as assimetrias do mercado a seu favor.

 

 

 

 

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