insights

Entenda as características dos BDRs Não Patrocinados

27.Outubro.2020

O assunto BDR (Brazilian Depositary Receipts) ficou entre os mais comentados do mercado financeiro depois que a B3 liberou as negociações para todos os investidores brasileiros, na última quinta-feira (22). BDRs são certificados de depósito, emitidos e negociados no Brasil, com lastro em valores mobiliários de emissão de companhias estrangeiras, e permitem a exposição indireta a ativos no exterior.

Os pequenos investidores se animaram com a possibilidade de acessar ativos de empresas internacionais, já que antes da mudança de regra esses ativos só podiam ser negociados por fundos de investimentos ou investidores qualificados (que possuem mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras).

Apesar da mudança representar um avanço na relação do investidor brasileiro com ativos listados no exterior,  é essencial compreender as características, bem como as vantagens e desvantagens deste tipo de instrumento de investimento no exterior. 

A aplicação indireta, via BDRs, possui riscos importantes que devem ser considerados, como o de conversibilidade (para entender mais sobre isso, clique aqui e leia a matéria), além de regras muito peculiares.

Umas das principais  é em relação ao tipo de BDR, que podem ser Patrocinado e Não Patrocinado. Dos cerca de 672 listadas na B3, apenas 5 são BDRs Patrocinados. 

No caso, a emissão do BDR Não Patrocinado ocorre por uma instituição depositária do Brasil, sem envolvimento da companhia que detém as ações que lastreiam o papel. 

“A instituição depositária mantém uma conta em um custodiante no exterior, onde permanecem depositados e bloqueados os respectivos valores mobiliários utilizados como lastro dos BDRs Não Patrocinados”, explica a B3.

Na prática, quando você adquire um BDR não Patrocinada na B3, a instituição depositária compra a ação da empresa nos EUA para ser utilizada como lastro do seu BDR. Isso quer dizer que você não detém a ação da companhia, mas apenas um recibo lastreado naquele papel.

Logo, quem investe em um BDR Não Patrocinado passa a correr o risco do banco intermediário, já que foi essa instituição que emitiu o recibo na B3. Se esse banco quebrar ou tiver algum problema de solvência, a aplicação no BDR ficará comprometida.

Um outro problema dos BDRs Não Patrocinados está na distribuição dos dividendos. Como o “dono” da ação é a instituição depositária, ela pode ficar com uma fatia dos dividendos que você recebe ao investir no BDR.

De acordo com informações da corretora Avenue, muitos  intermediários cobram 5% do valor de dividendo que o investidor recebe, o que pode fazer uma grande diferença para quem investe no longo prazo, pensando na aposentadoria, por exemplo.

Além disso, todas as informações repassadas ao investidor do BDR Não Patrocinado são de responsabilidade da instituição depositária e não da companhia estrangeira. 

Ainda assim, as informações contábeis desses BDRs estão no padrão norte-americano.  Isso quer dizer que mesmo que compre o ativo na B3, o investidor deve conhecer esses padrões para poder fazer uma boa análise sobre a companhia, assim como se comprasse o ativo diretamente no exterior.

Com tantas peculiaridades, os BDRs Não Patrocinados podem ser considerados uma peculiaridade brasileira,  já que tanto nos Estados Unidos quanto na Europa esse tipo de papel não é listado em bolsa, sendo apenas negociado em balcão.

BDRs não representam nem 10% das ações  

Também é preciso lembrar que o mercado norte-americano possui mais de 5.000 empresas listadas, enquanto o número de BDRs Não Patrocinados está na faixa de 667 na B3. Ou seja, apenas 10% do mercado acionário dos EUA está disponível para negociação via BDR no Brasil, enquanto os outros 90% só podem ser acessados por meio de aplicações diretas.

Algumas grandes companhias listadas nos EUA que não podem ser negociadas na B3:

  • XP Inc.

  • Ferrari

  • Kodak

  • Brookfield Properties

  • Stone Co.

  • Entre muitas outras

Analisando todos estes pontos, a principal conclusão é que para o pequeno investidor o investimento direta ainda é a melhor alternativa em uma estratégia de diversificação dos investimentos. E se você acha que para fazer este tipo de operação é preciso ser investidor qualificado ou milionário, está enganado.  Atualmente, existem corretoras que possibilitam acesso ao mercado norte-americano de maneira descomplicada e rápida, tão simples quanto uma TED.

 

Convex

Receba nossa Newsletter