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Dinheiro “novo” nas economias tende a valorizar ativos como o Bitcoin

21.Agosto.2020

Da Redação

As medidas emergenciais adotadas pelos bancos centrais nos últimos meses podem causar uma série de impactos econômicos de médio e longo prazo, além de refletir na valorização de ativos escassos, como o ouro e o próprio Bitcoin.

A desaceleração econômica provocada pela pandemia de Covid-19 tem sido combatida com a injeção de dinheiro promovida pelos Bancos Centraus do mundo todo. Segundo dados divulgados em abril pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), os programas de recuperação ultrapassaram a marca dos US$ 6 trilhões pelo mundo.

O gráfico abaixo, da variação anual da oferta monetária (M2), mostra a quantidade sem precedentes de dinheiro que o FED (Federal Reserve), banco central norte-americano, injetou na economia dos EUA em 2020:

Você pode estar se perguntando por que essa injeção de dinheiro novo em circulação pode resultar em uma valorização de ativos como o Bitcoin. A resposta está justamente na perda de valor das moedas estatais

Quanto mais dinheiro os governos colocam na economia, maiores são as pressões inflacionárias. Isso porque a quantidade de moeda aumenta, sem que a oferta de produtos e serviços cresça na mesma proporção. Como as pessoas têm mais dinheiro em mãos para consumir, a tendência é que os produtos fiquem mais caros já que sua oferta não aumentou.

“Esse tipo de política monetária valoriza os ativos escassos, como o ouro, o Bitcoin e até os imóveis. Qualquer mercadoria que não possa ser inflacionada acaba sendo beneficiada por essa ação dos bancos centrais”, diz Fernando Ulrich, sócio na Liberta Global.

Ativos escassos são aqueles que possuem limitação na oferta. A quantidade de ouro, por exemplo, é limitada pelas jazidas disponíveis para extração. O mesmo acontece com outros metais, como a prata. Mesmo a oferta de imóveis é limitada, pois é necessário que haja terra disponível para construção.

O Bitcoin também é um ativo escasso, já que sua quantidade máxima foi fixada em 21 milhões de unidades em seu protocolo.

Já as moedas estatais, como o real, não têm essa limitação e podem ser criadas a partir da impressão de dinheiro pelos BCs. Daí a sua perda de valor em momentos como esse e a consequente fuga para as chamadas reservas de valor.

Desde março desse ano, o preço do Bitcoin já se valorizou mais de 140% em dólar. Já o contrato futuro de ouro com vencimento em dezembro, negociado em Nova York, registrou valorização de 35% nos últimos cinco meses.

Segundo Ulrich, por mais que em um primeiro momento os efeitos colaterais não sejam visíveis, a impressão de moeda tem efeitos nocivos para os países. “À medida que o BC vai injetando dinheiro, ele vai distorcendo os preços relativos. Não é porque o índice de inflação ainda não registrou uma alta muito significativa, que não está havendo um desarranjo na estrutura produtiva da economia e nos preços relativos”, afirma o economista.

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), índice que mede a inflação oficial do país, subiu 0,36% em julho, 0,10 ponto percentual acima da variação de junho (0,26%). Este é o maior resultado para um mês de julho desde 2016, quando o IPCA foi de 0,52%.

No acumulado do ano, o indicador registra alta de 0,46% e, em 12 meses, de 2,31%, acima dos 2,13% observados nos 12 meses anteriores.

No entanto, é outro índice de inflação de preços que já vem mostrando uma aceleração mais acentuada. O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou variação de 2,23% em julho, ante alta de 1,56% no mês anterior. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), o IGP-M acumula inflação de 6,71% no ano e de 9,27% em 12 meses.

Diferentemente do IPCA, que busca refletir os preços ao consumidor final, boa parte do IGP-P é composta por preços no atacado, que costumam antecipar as variações de preços no varejo.

Confira a live de nossa CMO, Thata Saeter, com Fernando Ulrich, abordando este tema clique aqui. 

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