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Conceitos básicos da Criptoeconomia

07.Agosto.2020

Por Marcello Pinsdorf

Muito tem se falado sobre bitcoin, ethereum, e outros criptoativos. O que não falta são projeções sobre suas tendências de preço no curto, médio e longo prazo. No entanto, o conceito que está por trás disso tudo, a Criptoeconomia, permanece uma incógnita para a maioria das pessoas. Dessa forma, vamos neste artigo tentar trazer um pouco mais de compreensão sobre o assunto. Criptoeconomia é a utilização da criptografia e de incentivos econômicos para a criação de redes ponto-a-ponto robustas, que possibilitam a implementação de novos protocolos, sistemas e aplicações, que podem realizar ações que essas disciplinas não poderiam alcançar isoladamente.


O melhor exemplo disso é o bitcoin, a primeira, maior e mais bem sucedida implementação de criptoeconomia. O Bitcoin é a primeira rede de liquidação de pagamentos distribuída baseada em consenso, resistente à censura, sem necessidade de permissão e ponto-a-ponto, com uma moeda nativa comprovadamente escassa. O bitcoin (BTC), o ativo nativo do blockchain Bitcoin, é a primeira moeda digital do mundo sem um banco central ou administrador central. Veja abaixo um modelo esquemático de interação entre os participantes da rede bitcoin (baseado no artigo The Cryptoeconomic Circle, de Joel Monegro).


O modelo descreve a interação entre os participantes da criptoeconomia implementada pelo bitcoin: mineradores, usuários e investidores. Os mineradores representam o lado da oferta, os usuários representam o lado da demanda e os investidores representam o lado do capital.


Mineradores <=> Usuários
Quando os usuários da rede bitcoin realizam transações, os mineradores são os responsáveis pelo processamento e registro delas no Blockchain Bitcoin, fazendo uso da criptografia essas operações tornam-se seguras e imutáveis. No relacionamento minerador-usuário, os mineradores são compensados pelo seu trabalho através de bitcoins distribuídos pela própria rede. A Blockchain Bitcoin possui um mecanismo de controle da dificuldade do trabalho dos mineradores, de maneira a calibrar o esforço realizado pelos mineradores, através desafios criptográficos, para que os mesmos façam jus ao incentivo econômico distribuído pela rede. Este mecanismo de recompensa trabalhando em conjunto com a criptografia é que foi a grande sacada de Satoshi Nakamoto, que não sabemos se é uma pessoa ou um grupo de pessoas, quando publicou em 2008 o whitepaper “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System“.


Mineradores <=> Investidores
Podemos entender por investidores uma maneira genérica de denominar o participante que compra e vende bitcoin com o objetivo de realizar lucro. Se olharmos um pouco mais de perto podemos dividir em dois grandes grupos, aqueles que compram e vendem visando lucro no curto prazo, chamaremos de “traders” e aqueles que investem no médio e longo prazo, que podem usar diversas estratégias, mas para simplificar aqui chamaremos de “holders”. Todos possuem papel fundamental no ecossistema também, pois os “traders” criam liquidez para o bitcoin, para que os mineradores possam cobrir os custos operacionais e reinvestir os lucros no crescimento do negócio, enquanto os “holders” capitalizam a rede para crescimento sustentável, suportando os preços do bitcoin.


Usuários <=> Investidores
A liquidez do bitcoin, criada pelos “traders”, e o suporte ao seu preço provido pelos “holders” são importantes tanto para o lado da oferta (mineradores), quanto para o lado da demanda (usuários ). Assim, os investidores que participam do mercado aberto contribuem para ambos os lados igualmente.


Conclusão
É muito comum tentarmos entender o mundo dos criptoativos como um avanço tecnológico criado pela pela aplicação bem sucedida do conceito de blockchain, e quando olhamos desta forma parece mágico como um protocolo seguro e imutável de registro de operações pode ter criado ativos com tanto valor.

No entanto, para temos uma compreensão mais abrangente do potencial dos criptoativos devemos também olhar para eles como modelos criptoeconômicos, onde a tecnologia de fato tem um papel fundamental, mas não maior nem mais importante do que o papel do incentivo econômico que a rede proporciona na interação dos participantes da mesma.

Apenas olhando a tecnologia e os incentivos econômicos em conjunto é que começamos a entender o enorme potencial disruptivo dos criptoativos, e que estamos apenas no começo da grande transformação que eles podem vir a proporcionar.

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Sobre o autor: Marcello Pinsdorf é estudioso da tecnologia blockchain & criptoativos. 

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