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A falsa dolarização dos investimentos no Brasil

18.Novembro.2019

A dolarização nos investimentos é um ponto de partida para quem quer se expor aos mercados globais. Apesar de essencial em uma estratégia de diversificação da carteira de investimento, a exposição aos mercados internacionais ainda é tida como um tabu para o investidor brasileiro. 

Atualmente, as principais maneiras oferecidas no país para se expor a ativos internacionais são as BDR's (Brazilian Depositary Receipt) e os Fundos Cambiais. O que pouco se comenta é que em ambos os caso esta exposição está sendo de forma indireta aos ativos globais e moedas estrangeiras. No caso das BDRs, ainda temos problemas com a liquidez, desvantagens tributárias e restrições ao pequeno investidor.

Confira abaixo as características:

BDRs - Brazilian Depositary Receipt

Considerada uma das formas mais simples de se investir em ações no exterior, as BDR’s são certificados de depósito emitidos e negociados no Brasil e em real, com lastro em ações de determinadas companhias. As BDRs sempre são emitidos por alguma instituição, podendo dessa forma ser comparadas a “fundos de investimentos”. Dessa forma, o investidor que está adquirindo uma BDR não está comprando uma ação de uma empresa, mas sim, investindo na BDR responsável pela aquisição da ação, e não na empresa em si.  Além disso, as BDRs mais negociadas na bolsa brasileira são as do tipo “não patrocinadas”, em que a emissão do certificado ocorre por uma instituição depositária brasileira, sem envolvimento da companhia estrangeira emissora. Desta forma, todas as informações que serão repassadas ao investidor são de responsabilidade da instituição depositária e não da companhia estrangeira, e sua liquidez fica restrita ao Brasil e seu mercado interno de BDR’s. Além disso, as BDR’s não patrocinadas  estão restritas aos chamados investidores qualificados, como fundos de investimento ou pessoas físicas com mais de R$ 1milhão de reais investidos. 

Fundos Cambiais 

O fundo cambial tem como objetivo acompanhar a variação cambial da moeda que é seu benchmark. Apesar da praticidade, eles tendem a não acompanhar totalmente a variação cambial, seja pelos custos envolvidos, ou até mesmo a composição da carteira do fundo - pela legislação são obrigados a manterem no mínimo 80% em ativos relacionados ao benchmark cambial - assim, o fundo pode não estar totalmente posicionado em ativos que acompanham as variações cambiais. Porém, a questão destes fundos é que eles não estão comprados em moeda, e sim, em títulos, como swaps e cupons cambiais, que em momentos de grande stress do mercado podem não acompanhar a variações bruscas. Pelo fato da posição comprada pelos fundos não acompanhar as oscilações do mercado nestas situações os títulos podem perder valor e liquidez.


 

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